Quem tem medo da verdade?


"Podem-se prender os que dizem a verdade,
mas não se pode prender a verdade!"
Ignázio Silone




Quem tem medo da verdade? Eis uma pergunta fácil de ser respondida: todos, salvo raras exceções.

Quase todas as pessoas a temem, em maior ou menor proporção.

E temem relacionar-se com ela de todas as formas: temem conhecê-la, assumi-la, praticá-la e transmiti-la. Conhecê-la, na maior parte dos casos, é um empreendimento de custo.

Ter consciência da verdade custa aos homens mudanças em suas vidas

Todo mundo sabe, ou pelo menos pressente, que receber a verdade não é receber uma coisa qualquer, daquelas que podem ser descartadas pelo beneficiário. Embora sempre surja de graça, por ser a própria graça, ela jamais é gratuita, porque sua revelação é sempre acompanhada de cobranças. Os que a conhecem tornam-se devedores. O que devem? Devem praticar o que aprenderam com ela. Devem operar em si mesmos as transformações que, impulsionadas pelo poder soberano da verdade, os levarão a viver de verdade! E todos aqueles que se negam a aceitar esse preço justo, seja por orgulho, desprezo ou indiferença, acabam, mais tarde, tendo que pagar caro pela sua omissão.
Quanto a transmitir a verdade, trata-se, sem sombra de dúvida, de um empreendimento de risco. Todos os que são providos de coragem para revelá-la e assumi-la perante os homens certamente se sujeitam a perder desde uma amizade até a própria vida.

A História está pejada de exemplos de perseguições e
injustiças cometidas contra os que ousaram pregá-la.

Não faltaram, ao longo dos séculos, instrumentos contundentes para punir os audaciosos, como pedras, cruzes, forcas, fogueiras, guilhotinas, venenos, prisões, torturas, fuzilamentos, além de conluios, conspirações, pressões econômicas, difamações públicas, ações judiciais e outros meios.

Vãs tentativas!

Enganam-se redondamente os que pensam que podem escondê-la para sempre ou exterminá-la. O destino desse clarão de luz que dissipa os enganos é a desvelação, e nada neste mundo pode impedir que ele cumpra o seu mister.

Renascendo das cinzas dos seus mensageiros imolados, a verdade sempre ressurge.

Ressurge de forma imprevisível e misteriosa, para justiçar os homens. Os algozes de seus arautos pagam o preço de seu esquecimento: o esquecimento de que ela é inerente à natureza humana, e de que tentar livrar-se dela é tão impossível quanto tentar livrar-se da própria sombra.

Tentar livrar-se dela é tão impossível quanto tentar livrar-se da própria sombra.

Mas os que cumprem o dever de disseminá-la têm seu nome registrado na História e tornam-se imortais como ela. O trabalho por eles realizado e o seu sangue derramado têm o poder de reafirmar sua aura de força e manter acesa a chama da esperança dos que partilham da aspiração de vê-la triunfar.
Na realidade, essas duas formas de relacionar-se com a verdade - conhecê-la e transmiti-la - estão estreitamente ligadas.

Os que se dispõem a transmiti-la precisaram,
antes de mais nada, de coragem para conhecê-la.

E por terem compreendido o imperativo de passar por uma transformação é que adotaram uma nova forma de conduta guiada por uma maior responsabilidade, e que se decidiram a enfrentar todos os desafios inerentes a tal ideal.
Infelizmente, a grande maioria dos homens ainda não descobriu o sabor de viver praticando a verdade. Desde o princípio das civilizações, em diferentes épocas e locais, as mais variadas linhas de conduta, desde a moralista à permissivista, já foram adotadas. O mesmo é válido para regimes políticos, sistemas econômicos, ideologias, cultos, religiões, seitas e filosofias. De fato, já se tentou de tudo. Ou, melhor dito, quase tudo. Pois, estranhamente, o ser humano parece ter se esquecido de experimentar o mais óbvio: um tipo de vida autêntico, que lhe permita ser verdadeiro. Simplesmente isto. Acontece que lhe falta a consciência da importância desse modo de vida, o único capaz de dar um sentido à existência humana. O reconhecimento dessa importância deveria ser estimulado, através do meio cultural, pelos poderes instituídos. Porém, até onde se sabe, esses poderes, longe de haverem demonstrado ao longo da História algum interesse em realizar tal trabalho, têm se colocado a serviço de algo diametralmente oposto.

A idiotização do homem.

No intuito de mantê-lo permanentemente enganado, eles têm lançado mão dos mais variados recursos. Assim é que as astronômicas somas que são despendidas diariamente no mundo inteiro pelos meios de comunicação não são usadas para investir no discernimento de quem quer que seja, mas sim para perpetuar a mentira, incentivando a corrupção moral e a anarquia social.

A mentira tem frutos espinhosos, que só causam dor e sofrimento.

Dado então esse triste estado de idiotização em massa que ao longo dos séculos houve sempre quem se empenhasse em consolidar, é possível que bem poucos tenham condições de dar-se conta de que resgatar a verdade é importante, e de quanto urge fazê-lo. Por isso mesmo, aqueles que não estão satisfeitos com o domínio da ilusão e se angustiam com seus nefastos efeitos devem se mobilizar para reverter esse quadro. A revista Humanus, em cuja elaboração estão envolvidas pessoas que têm procurado conhecer a verdade e saboreado os frutos das transformações pessoais que ela ocasiona, é um instrumento de sua divulgação, apresentando em suas páginas uma grande e forte dose da mesma a fim de que todos os que sonham com um mundo governado por ela se unam na luta por esse mesmo objetivo.

Denunciar a existência de um sinistro plano de dominação do mundo.

Tal plano, maquinado por sagazes programadores de seres humanos há meio século e que já estendeu seus tentáculos por todos os continentes é divulgado constantemente através deste anuário. Criar falsos mitos capazes de gerar conceitos perniciosos e guerras; induzir a proliferação de ideologias; atrelar os meios de comunicação à política, transformando as versões das notícias em perversões, são algumas das inúmeras táticas que fazem parte de tal plano. O que teria levado a mídia do mundo - salvo raras exceções na Europa e EUA - a esconder do público, durante cinco décadas, tão relevante assunto? A questão deve ser motivo de reflexão por parte dos leitores.
A denúncia, dada a sua gravidade, deveria ser suficiente para motivar as pessoas a reagir contra a situação de indignidade a que foram submetidas.

Tornar-se ciente de tal sistema de programação é o
primeiro passo a ser dado para combatê-lo.
O segundo é tomar as precauções possíveis no sentido de não cair em suas tão
bem armadas ciladas, irresistíveis só aos incautos.
O terceiro é procurar advertir outras pessoas a respeito do assunto.

Dessa forma elas também podem se prevenir. Permanecer indiferente diante da evidência de tão tristes fatos seria uma atitude inaceitável, que só se justificaria caso o homem fosse mesmo um animal, (tal como querem nos fazer acreditar), e estivesse irremediavelmente sujeito à dominação dos mais astutos e "fortes".

Portanto, repensar valores e atitudes é preciso. E arregaçar as mangas
e trabalhar por uma nova Ordem, semeando a verdade por toda parte,
é uma ordem. Que vem da consciência e que, por isso mesmo,
deve ser cumprida.

Artigo publicado na Humanus II, ano 2001.