por Salomão em Qui Jul 22, 2010 1:08 pm
A AUTORIDADE
"O símbolo da União é luz, paz e amor. O discípulo deve amar o próximo como a si mesmo para ser merecedor de receber o símbolo da União."
MESTRE Gabriel
O significado da palavra autoridade envolve, além das idéias de poder, superioridade e direção que constam nos dicionários, o conceito de competência.
A competência é um atributo tão essencial para a legitimação da autoridade que, sem ela, esvazia-se a própria razão de se estar investido da mesma. Ela corresponde a uma habilidade notória e marcante, em alguma área específica, manifestada por quem a possui perante seu grupo social. Inclusive, o uso do termo autoridade no âmbito das ciências para significar o domínio de algum assunto (ser uma autoridade em determinada área) é fruto do reconhecimento de que sem competência não há autoridade.
No caso de um dirigente, no entanto, a competência não pode se limitar apenas ao domínio de um assunto determinado, mas deve abranger a capacidade de administrar problemas, uma vez que o poder de que ele está investido é, em síntese, o poder de decisão. E embora o poder de decisão seja algo outorgado a uma determinada pessoa pelo grupo social a que ela pertence, a autoridade em si é um atributo pessoal, fruto do mérito, e não é, portanto, outorgável nem transferível. Ele é, na verdade, um dom, que tende a ser reconhecido pelos demais e, a partir daí, exercido por quem o manifesta através de uma posição de liderança em prol da ordem e da evolução do seu grupo.
Quando a autoridade de um dirigente é natural, sua adequação à função para a qual foi convocado ocorre de forma efetiva e o processo flui. Quando, porém, a autoridade é forjada, a pessoa não consegue responder à imprevisibilidade das circunstâncias por lhe faltar a capacidade de dirigir, que tem como requisito o bom senso, próprio de um espírito lúcido e equilibrado.
A primeira conseqüência da ausência de bom senso num dirigente é o desrespeito por parte de seus subordinados, que não reconhecem nele um condutor legítimo. Outro resultado dessa ausência é que ele, ao invés de usar a força da razão para ser obedecido, tende a usar a força sem ter razão, ou seja, a cometer abusos.
MESTRE Gabriel dizia que o que ele mais via neste mundo era gente sem competência exercendo funções para as quais é preciso autoridade. Os que se sujeitam a desempenhar tal papel usam de recursos de natureza política, movidos por interesses exclusivamente pessoais, e colocam a vaidade em primeiro lugar em detrimento das necessidades coletivas.
Examinando-se a questão sob o prisma espiritual, a autoridade para dirigir é vista também como fruto da retidão de conduta, que, por sua vez, é fruto da capacidade de se guiar pela voz da consciência. Tal capacidade reflete um grau espiritual que resulta de um processo de limpeza e purificação cuja base é o reconhecimento dos erros. A retidão é fundamental para um dirigente na medida em que direciona toda a sua competência para um objetivo nobre e altruísta. Sem ela, a pessoa corre o risco de se corromper, de envolver-se em atividades torpes e nocivas, usando assim suas habilidades apenas para saciar o próprio ego.
Neste sentido, a competência e a retidão são as duas colu¬nas de sustentação da verdadeira autoridade.
A capacidade de tomar decisões exclusivamente de acordo com as determinações da consciência, ou seja, a capacidade de ser correto, implica manter um permanente vínculo com Deus, de onde emana a inspiração necessária para que se possa agir com sabedoria e, sobretudo, com justiça. Quem, no entanto, não alcançou esse grau e exerce uma função que exige autoridade corre o risco de causar sérios prejuízos a si mesmo e ao grupo que dirige. O dirigente que, por exemplo, comete injustiças terá que responder não apenas por seu engano, mas, ainda, pelo fato de submeter ao erro todos os que estão sob sua direção. E estes, embora inadvertidamente iludidos, não estarão isentos de culpa, uma vez que toleraram o erro.
O fato de uma pessoa desprovida de competência e de retidão insistir em permanecer no lugar da autoridade configura, em suma, a mais contundente manifestação de usurpação.
A AQUISIÇÃO DA AUTORIDADE ESPIRITUAL
Embora a autoridade não seja um atributo outorgável ou transferível, visto que é fruto da competência e da retidão, ela é algo acessível a todos os que almejarem conquistá-la. Mas, para que essa conquista possa efetivamente acontecer, é preciso preparar-se espiritualmente.
A União do Vegetal ensina que a trajetória para o homem alcançar esse grau espiritual começa com um trabalho interior, de conquista da autoridade sobre si mesmo. Trata-se de atingir o domínio próprio através do auxílio eficaz da burracheira, que revela a cada um o seu grau de equilíbrio e firmeza. Em outras palavras, a UDV ensina que, em primeiro lugar, é preciso aprender a ser senhor, senhor de si. E por isso que o tratamento no âmbito da Ordem é senhor e senhora, usado não por uma questão de formalidade social, mas pelo anseio de atribuição de uma virtude que todo homem deve almejar ter para saber realmente o que fala, pensa e faz.
Sucede a essa primeira etapa de vitórias o despertar para a questão da autoridade no núcleo familiar. A relação pais/filhos, conforme é sabido, é norteada pelo princípio da hierarquia, estabelecido pela própria natureza através de vínculos biológicos e espirituais. Os pais que comungam a Oaska descobrem o dever de fazer por merecer sua responsabilidade natural em retribuição ao voto de confiança conferido pelo Criador. E o filho, ao mesmo tempo em que é um instrumento dessa confiança que Deus está depositando nos pais, é também um agente fiscalizador; e, nesse sentido, a conquista de seu respeito e de sua admiração torna-se um imperativo para a harmonia da relação. A experiência da procriação é, então, uma oportunidade para o homem descobrir e desenvolver sua capacidade de dirigir.
Quanto aos outros núcleos sociais de que o homem faz parte, ele, tendo o início do Conhecimento, tem o dever de influenciá-los beneficamente através de um comportamento reto e equilibrado, conquistando, assim, a confiança dos que o rodeiam. Em síntese, numa primeira etapa de caminhada na vida espiritual a pessoa desperta para a importância do cumprimento dos seus deveres e, posteriormente, aos poucos, ela adquire a devida firmeza para fazer com que também outros cumpram o seu dever, quando então estará preparada para ocupar um cargo de direção. Portanto, os exemplos de retidão são de grande importância para a conquista da verdadeira autoridade.
A retidão consiste num conjunto de virtudes integradas, sendo que a presença das mesmas no espírito humano é a mais alta manifestação da luz. É por este motivo que MESTRE Gabriel se manifesta na União do Vegetal, simbolicamente, através de uma escada constituída por degraus de virtude, sendo o primeiro, como já mencionado, a paciência; o segundo, a humildade; e o terceiro, a obediência. Esses são os atributos inerentes ao grau de Mestre. Quanto mais um discípulo se aproximar desse estado de espírito, mais condições terá de auxiliar o Mestre na expansão da obra.
De modo que na vida espiritual o domínio do assunto consis¬te, em primeiro lugar, na prática dos ensinamentos. E para poder dirigir é preciso, antes de tudo, aprender a dirigir a si mesmo, pois só a partir dessa aprendizagem é que se torna viável dirigir espiritualmente um grupo de pessoas. Quanto ao poder de decisão, cabe esclarecer que o Mestre Geral Representante da União do Vegetal sempre age sob o símbolo da luz, da paz e do amor, de forma que suas decisões sempre se encontram em harmonia com seus ensinamentos.
Além disso, quando se tem em vista a questão da autoridade é preciso ter sempre a memória em Deus, que é a autoridade máxima do universo, seu Criador e mantenedor, regente de todo o processo evolutivo dos seres no Cosmos e que, mesmo sendo o Poder absoluto, onipresente e onipotente, não deixa de ser misericordioso, concedendo-nos o perdão e a oportunidade de resgatarmos nossas dívidas. A perfeição de Sua justiça e a magnitude de Sua bondade devem sempre servir de parâmetro aos que estão na Terra no lugar de dirigir e orientar os homens para que estes direcionem todo o seu poder de decisão exclusivamente em prol do bem do semelhante.
A mesma inspiração e o mesmo poder de realização que provêm da união espiritual do Mestre Geral Representante com MESTRE Gabriel podem ser sentidos pelos discípulos dependendo do grau de sintonia que estes conseguirem manter com o Mestre.