Trança
Desde muito cedo, as crianças começam a aprender política: "Seja autentico e será castigado". Isso é aritmética elementar.
Na minha infância, sempre me disseram para ser honesto e dizer a verdade. Um dia, disse ao meu pai:
- Se quiser que eu lhe diga a verdade, terá de me recompensar. Se me castigar quando lhe disser a verdade, o senhor me forçará a mentir.
- Muito bem, disse meu pai, e fechamos o trato.
Os brâmanes ortodoxos cortam o cabelo e deixam uma pequena mecha no sétimo Chakra sem cortar. Essa parte continua crescendo e é geralmente mantida dentro dos turbantes ou gorros.
Nos cálidos verões da índia, muita gente põe as suas camas do lado de fora das casas e passam a madrugada ali. Um brâmane dormia tranquilamente sob o teto de sua casa. Seu turbante havia caído e a trança chegava até o chão. A tentação era tão grande que não conseguí resistir... Cortei-o completamente.
Na manhã seguinte, ele descobriu que já não tinha a trança. Acreditava que toda sua espiritualidade havia ido embora.
Todos na vizinhança sabiam que eu era brincalhão. O brâmane foi diretamente para minha casa.
Eu estava sentado em frente á minha casa e sabia que ele viria pela manhã. Ele estava furioso.
- Onde está o seu pai? Não quero falar com vocé.
- Meu pai saiu.
A seguir, chega o pai e pergunta:
- O que você fez com este homem?
- Nao fiz nada, mas cortei uma trança que, com certeza, não lhe pertence, porque quando o fiz ele não se opôs.
- Eu estava dormindo, disse o homem.
- Se eu tivesse cortado um de seus dedos enquanto o senhor dormia - eu disse -, teria acordado. Isso demonstra que os cabelos estão mortos. Não sangram. Não entendo o porque de tanto escândalo... uma coisa morta estava pendurada... para que levar uma coisa morta dentro do turbante durante toda a vida?
Perguntei ao meu pai na frente do homem:
- E a minha recompensa?
- De qual recompensa fala esta criança? Perguntou o homem.
- Esse é o problema. Fizemos um acordo. Se ele dissesse a verdade...
Deu-me cinco rupias. Era muito dinheiro naquela época. O homem disse bravo:
- O senhor está educando mal essa criança! O senhor deveria acoitá-lo em vez de lhe dar dinheiro!
- Se o senhor quiser castigá-lo, o problema é seu. Não vou me meter. Não estou recompensando-o pela travessura, estou recompensando-o por dizer a verdade.

