
"É claro que não!", certamente você responderá. "Sou um livre pensador, tenho minhas próprias idéias, meus princípios, meus valores, meus ideais, meus..." Sem dúvida, você é absolutamente livre para pensar o que quiser. Aliás, a liberdade é uma característica da condição humana, uma vez que o homem está destinado a escolher. Cada instante da vida humana exige decisão, opção e posicionamento diante dos acontecimentos. São situações de importância comparável à da semeadura, pois colher-se-á, na vida, exatamente aquilo que se plantou. E quem sabe disso encara cada situação de escolha com respeito, sentindo sobre a cabeça a espada de Dâmocles, ou seja, o peso de tal responsabilidade.|
Sim, você é livre para escolher. Mas apenas potencialmente livre. Isto porque quando as influências externas são fortes e atuam de forma insistente e sistemática elas podem acabar sufocando este sagrado direito humano. E tal repressão pode ocorrer de forma violenta ou mascarada. No primeiro caso, é praticamente uma regra haver reações por parte do oprimido. A própria História nos dá ilustrações de sobejo a esse respeito; afinal, quantas revoluções já ensangüentaram países em nome da chamada liberdade de pensamento e expressão? No segundo caso a opressão é sutil, tão sutil que passa por inexistente, e o próprio oprimido não só não reclama como ainda proclama aos quatro ventos que está tudo bem e que ele vive num ambiente em que sua liberdade é respeitada. É o que acontece nas sociedades consideradas democráticas, nas quais o homem é enganado e levado a gostar de tal papel, e condenado, justamente por isso, a acatar o que sutilmente lhe é imposto.
Um homem programado pelo sistema e pelos meios de comunicação engole as opiniões da imprensa sem nada questionar; acata as posições dos âncoras da TV com admiração, bebendo suas afirmações postiças; adota as idéias anárquicas, nocivas e maçantes expressas nas telenovelas; repete o que ouve, lê e assiste; enfim, interpreta o mundo exatamente como querem que ele o faça. E um homem cujas atitudes são fruto de uma manipulação alheia e que, por isso mesmo, se conduz na vida de forma mecânica está sempre sujeito a ser influenciado e afetado. Sua mente atua como uma máquina que se abastece de qualquer combustível. Como os combustíveis à disposição normalmente são negativos, porque contaminados por ideologias de dominação, eles produzem uma espécie de veneno que imediatamente lhe infecta o cérebro, o coração, os sentidos, o sangue, o corpo e a sua constituição humana. A partir de então, o indivíduo não tem condições de perceber a realidade, dado que se encontra debilitado por esse veneno, que o faz divagar e perder de vista não só a sua verdadeira individualidade como também a sua própria consciência.
Os fatos comprovam por todos os meios (só não enxerga quem não quer!) que os poderes constituídos das sociedades contemporâneas, por detrás da máscara da "democracia", atuam, através de seus principais agentes, de forma despótica e autoritária, impondo e obrigando as populações, de forma ora sub-liminar ora ostensiva, a adotar seus questionáveis princípios, valores, hábitos e até vocabulário. Os principais jornais do mundo expressam em suas manchetes as mesmas posturas perante os fatos, as mesmas opiniões, as mesmas condenações e as mesmas honrarias. Também as revistas, os canais de rádio e as principais emissoras de televisão do mundo agem de forma semelhante, induzindo cada pessoa a pensar, agir e falar como a grande massa o faz.
A Revista Humanus tem como objetivo contribuir para reverter esse quadro, apresentando uma alternativa jornalística para despertar o leitor da dormência mecanicista e programada por uma minoria que prima pelo egoísmo e espírito mercenário. Diante dessa avassaladora onda de materialismo e competição, os ideais subjacentes a este anuário podem parecer utópicos. Mas esperaremos sem impaciência que aumente o número de pessoas idealistas, cuja disposição de espírito lhes permita não só compreender a dimensão dessa busca por uma nova concepção de vida mas também colaborar para que esta primeira edição de Humanus não seja a última.
Até sempre!
A Redação