A ditadura dos meios de comunicação
Paralelamente ao humor saudável e inteligente, que provoca o riso pela sabedoria, existe o humor chulo dos medíocres, que traz à tona o grotesco e a deformação dos valores. Enquanto o primeiro é revestido de graça, o segundo é desprovido dela, pelo menos aos espíritos mais exigentes. E enquanto o primeiro é útil no sentido de desmistificar a mentira, o segundo a alimenta, sendo, por isso, nocivo e inconveniente.
De segunda a sexta, sempre um pouco depois das onze meia da noite, os telespectadores têm acesso a um programa de entrevistas que prima por um hibridismo de humor chulo com pseudo-intelectualidade. Explicando: o entrevistador, que, aliás, é o centro das atenções, apresenta, através de piadas pornográficas, baforadas em charutos, beijinhos-beijinhos em barbados e apalpadelas nas pernas de suas convidadas, um espetáculo de apologia à promiscuidade mesclado com relances de erudição e poliglotismo. O tratamento usado, ou melhor, imposto é o mais íntimo possível, é claro, e nem poderia ser diferente num clima de tanta liberalidade: trata-se do “você”, que, ao ser usado com absoluta abrangência, desempenha o mesmo papel do “you” do inglês: todas as pessoas, sem exceção, inclusive ministros de Estado ou presidentes são tratadas com a mesma intimidade, e acabam sendo o Chico, o Fernando, a Ruth, o Fulano, o Beltrano, o Sicrano, etc., pretendendo-se com isso garantir uma imagem de superioridade a quem os entrevista. Assim, com um despotismo sutil, o entrevistador acaba impondo suas ideologias, seus princípios anárquicos e até suas preferências políticas, pois o que ele ataca ou defende está perfeitamente de acordo com seus interesses pessoais. E ai de quem ousar ter idéias diferentes das suas! Nesse ponto ele é bastante habilidoso em colocar a pessoa em situação constrangedora... E há mais um ponto digno de nota: esse mesmo opressor, que não só impõe suas idéias mas também suas atitudes “espaçosas”, acreditem se quiser, é um dos maiores paladinos da democracia! Como pode ser? Ora, a democracia que ele defende é só para ser usada por ele mesmo, exatamente como acontece na mídia em geral. Mas, na verdade, os supostos ares democráticos escondem o que ele e outros da TV aparentemente combatem, porém mais imitam: o despotismo do Führer Adolf Hitler, cuja divisa – a autoridade reside na popularidade – seguem à risca. E a popularidade, vale dizê-lo, está representada principalmente pelos humoristas. Hitler adotou o bigode de Charles Chaplin (considerado mestre do humor) como símbolo de popularidade e, coincidência ou não, conseguiu ser a personagem mais popular da Alemanha! Por isso é que os políticos são tão subservientes aos humoristas, principalmente em relação aos que se transvestem de entrevistadores: eles temem ser publicamente ridicularizados por essa tal “autoridade”, que não reside na competência, mas sim na popularidade... Então, embora os produtores da mídia condenem com fervor a tirania de Hitler, é a dirigentes como ele, na verdade, que eles mais imitam. E escolhem determinados tipos folclóricos do cenário nacional que, a peso de ouro, se colocam a soldo dos magarefes da comunicação e, pelo dinheiro, desprezam o ideal de contribuir para a formação de uma sociedade sadia, fazendo do país (que deveria ser um paraíso) um antro de subversão de valores, desobediência e corrupção. Assim agem como se não tivessem filhos, ou seja, como se não tivessem nenhuma responsabilidade em relação às defomações que disseminam através do estímulo aos desvios sexuais e outras formas de liberalismo promíscuo. Portanto, no referido programa de entrevistas, fica inviável a participação das pessoas que não se sujeitem a todas essas imposições truculentas, as quais não são senão formas de coação disfarçadas de “simpatia”. Então, muitos, por precisarem de promoção pessoal, acabam tolerando as pantomimas do Gordo, as quais certamente provêm do Baú da Vulgaridade...
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